Catálogo Digital do Museu de Psiquiatria do CAIS-SR

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Este Catálogo mostra parte da dramática passagem e permanência de centenas de pessoas em uma instituição de saúde, contada através de objetos que fizeram parte do seu cotidiano. Os objetos pertencem ao Museu do CAIS de Santa Rita do Passa Quatro e ao século passado, mas as histórias associadas a eles ecoam ainda hoje, levando-nos à reflexão sobre doentes, doenças, saúde pública e sociedade, entre outros temas.

 

Projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura - Programa de Ação Cultural - 2012

O CAIS SR

O Centro de Atenção Integral à Saúde de Santa Rita do Passa Quatro (CAIS SR) foi inaugurado sob a denominação de Sanatório Colônia de Santa Rita com a finalidade de atender pacientes portadores de patologia tuberculósica. Ao final de 1973 converte-se em hospital psiquiátrico e em meados de 1999 passa a ser denominado Centro de Atenção Integral à Saúde de Santa Rita. Em 2007 passa a pertencer ao Departamento Regional de Saúde de Ribeirão Preto (DRS XIII), tendo atualmente as seguintes finalidades:

 

- ser referência na área de Saúde Mental, oferecendo assistência especializada, em regime de internação, atendimento ambulatorial e de residência terapêutica, observadas as necessidades locais e regionais;

- qualificar e ampliar a assistência do seu Programa de Álcool e Drogas, implementando projetos específicos no Programa de Assistência Hospitalar;

- ser campo de ensino e pesquisa de graduação e pós-graduação, promovendo a gestão participativa em todos os níveis.


Há mais de 20 anos e até mesmo antes da criação do SUS o modelo de atenção em saúde mental no Brasil vem sofrendo mudanças. No final da década de 1970 os trabalhadores em saúde mental iniciaram um movimento antimanicomial, chamando a atenção da sociedade para a necessidade de se buscar alternativas de tratamento para os portadores de sofrimento mental. O questionamento do modelo asilar e a luta pela desospitalização resultaram na articulação do projeto do deputado Paulo Delgado, que seria transformado em lei em 2001 (10216/2001) e que afirma a posição do Ministério da Saúde e da sociedade brasileira a favor de uma nova forma, mais humanizada, de cuidado aos portadores de doença mental. Desde 1989 o Ministério da Saúde vem emitindo portarias que definem a desinstitucionalização como meta operacional no país. Essas portarias permitiram a instalação de serviços secundários baseados na atenção comunitária.
A construção desses serviços substitutivos ao manicômio é uma realidade que proporciona novas perspectivas aos trabalhadores e usuários do sistema em todo o país. A política do Ministério da Saúde para o setor confere aos centros de atenção psicossocial (CAPS) a organização e a articulação da rede de assistência no território nacional.

 

O Museu do CAIS

Criado em 2000, o Museu do CAIS de Santa Rita do Passa Quatro – município situado a oeste de São Paulo – detém um significativo acervo de objetos e documentos que retratam a trajetória da instituição à qual se vincula, desde a sua fundação, na década de 1950. As cerca de duas mil peças do acervo museológico incluem equipamentos e utensílios diversos, mobiliário, materiais de uso comum e instrumentos clínicos, além de discos, livros, fotografias e acervo documental.
Trata-se de exemplar singular no estado de São Paulo por reunir tal combinação de coleções, de grande relevância para o registro, estudo e preservação da memória da saúde na região Sudeste e no país. O acervo ilustra as épocas vivenciadas pela instituição, abrangendo materiais relativos não apenas ao tratamento clínico da tuberculose – doença endêmica no país até os anos 1970 –, como ao dia-a-dia dos pacientes, como itens relativos a lazer e cultura. Outro conjunto importante de peças refere-se ao período em que a unidade já se voltava ao trabalho com saúde mental, testemunhando um período dramático em que o tratamento às doenças mentais se baseava na contenção e na reclusão social, quadro que foi sendo gradualmente transformado com a reforma psiquiátrica. Além do acervo museológico e documental, a própria edificação que abriga o Museu tem importância arquitetônica, histórica e cultural.
A criação do museu se deu no âmbito de um programa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo de estímulo a projetos culturais com função humanizadora dentro de seus equipamentos e por iniciativa de alguns funcionários do Hospital que, à época, enxergaram na constituição de um espaço de memória uma oportunidade e um meio para a inclusão e o exercício da cidadania, não apenas para os pacientes, mas também para a comunidade. Entenderam que tal espaço se configuraria como patrimônio social e cultural tangível e intangível e poderia ser explorado de modo a aproximar as pessoas de dentro e de fora da instituição, através da compreensão e do compartilhamento de sua história comum. A salvaguarda e a exposição do acervo ao público contribuem para sensibilizar os visitantes para a questão da saúde pública em nosso país, em especial a saúde mental a qual, a despeito de avanços conquistados, ainda hoje requer muita reflexão e debate por parte da sociedade.

O Catálogo

O projeto deste catálogo pôde ser executado graças a um prêmio concedido através do Edital 14/2012 para difusão de acervos museológicos do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. O objetivo do projeto era catalogar uma parte do acervo museológico do Museu do CAIS-SR e compor um registro fotográfico atual, individualizado e a cores dos objetos mais importantes que o constituem, acompanhado de ficha catalográfica contendo os dados técnicos e descritivos das peças.
Ao pensar uma estrutura para o catálogo, consideramos que ela deveria reproduzir virtualmente, ainda que de maneira aproximada, o percurso provável de uma visita presencial ao Museu, respeitando o projeto expográfico original pensado pelos criadores do espaço. Mas a visita na verdade já se inicia do lado de fora dele, uma vez que, por se tratar de um equipamento integrado ao complexo de saúde, o Museu e seu entorno, com os edifícios, as árvores, as áreas livres, os passadiços e as pessoas que por lá circulam formam um conjunto dotado de carga referencial, em que os elementos externos compõem o introito que prepara o visitante para a experiência que se seguirá dentro do Museu.
Adentra-se a unidade pelo refeitório, um grande salão que liga as duas alas do pavilhão: respectivamente, a ala A, dedicada à tisiologia ou tuberculose, e a ala B, dedicada à memória da psiquiatria na sua fase manicomial. É importante lembrar que as visitas presenciais são sempre guiadas (com necessidade de agendamento prévio) e acompanhadas de informações contextuais sobre a história da instituição e de seu acervo. Sem essa mediação, torna-se difícil para o visitante enxergar a relevância do patrimônio histórico- -cultural representado pelos ambientes e peças em exposição e compreender a importância de se preservar essa memória.
É também com este propósito que o catálogo agrega referências sobre as peças e os espaços descritos, de acordo com a sequência das salas em cada uma das alas. O usuário do catálogo tem, é claro, toda a liberdade de estabelecer o trajeto que quiser para sua pesquisa, mas terá sempre a referência de outros objetos que se encontram nas salas que escolher consultar. Ressaltamos, porém, que dado o escopo limitado do projeto, não seria possível abranger e catalogar todas as peças do acervo em questão. Assim, foram priorizadas aquelas mais representativas, do ponto de vista histórico e museológico, não tendo sido incluídos vários exemplares similares de um mesmo tipo de peça. Os mesmos critérios foram também aplicados à seleção dos ambientes retratados.
Foi desenvolvida uma ficha catalográfica sucinta para as peças, com campos de identificação fundamentais que são listados e explicados abaixo:

 

- Imagem do objeto: é apresentada pelo menos uma imagem de cada objeto, mas em alguns casos, há vistas de detalhes ou outros ângulos dele;


- Número de registro museológico: constituído da identificação Tb quando se trata de objeto representativo da fase da Tuberculose (tisiologia), Ps para aqueles referentes à fase da Psiquiatria, e Tb-Ps para objetos pertinentes a ambas as fases, seguido de número sequencial de catalogação;


- Topografia, isto é, a localização do objeto no Museu, segundo a identificação de cada sala;


- Denominação do objeto: nome pelo qual ele é conhecido. Sempre que possível, foram acrescidos dados físicos e culturais sobre o objeto, tais como nome do autor ou do fabricante, data de produção ou fabricação e indicação de sua funcionalidade;


- Dimensões: são as medidas de altura, largura e profundidade ou diâmetro do objeto, em centímetros;
Referências bio/bibliográficas: informações sobre a história do objeto no CAIS-SR.

 

Os dados e informações de catalogação foram coletados através de pesquisa documental nos registros da administração do Hospital e de entrevistas com funcionários e ex-funcionários do CAIS SR durante visitas técnicas, em consultas bibliográficas e em diferentes sites na Internet, cujas referências encontram-se ao final deste trabalho.

Ficha Técnica

GOVERNADOR
GERALDO ALCKMIN

 

SECRETÁRIO
DAVID EVERSON UIP

 

COORDENADOR
GERALDO REPLE SOBRINHO

 

DIRETOR
SONIA REGINA GOBI

COMISSÃO DO MUSEU
ANGELA MORAIS PASCHOALIN
CARLOS FERNANDO ZORZI
CERES SCHWARZ SPERA
DEOMIRA ZANQUETA CARVALHO
DULCINÉA TAVARES DA SILVA
MARIA AMÉLIA PEREIRA
MARIA TEREZA GALAN JORDÃO

 

Do Catálogo

Coordenação técnica
Cecília Soares Esparta

 

Consultoria museológica
Marilúcia Bottallo

 

Produção Executiva
Marília Silveira

 

Pesquisa Histórica
Daniela Domingues Leão do Rêgo

 

Fotografia
Rogério Lacanna
Gerson Tung

 

Design Gráfico
Gerson Tung

 

Coordenação administrativa
AEP Serviços Culturais

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