No dia 19 de setembro de 1880 nascia
em Santa Rita
do Passa Quatro, o saudoso mestre de nossa música, Zequinha
de Abreu.
Filho de um militar iniciou seus estudos no colégio São Luiz
de Itú passando posteriormente às classes de aula no Seminário
Episcopal (hoje Arquidiocesano), onde concluiu o seu curso colegial.
Em seguida, atendendo mais um desejo de sua família e
propriamente à sua vocação, ingressou-se na
Faculdade de Medicina, onde passou apenas dois anos, que
viriam a ser os últimos de estudos em toda a sua vida.
Embora no princípio dos estudos médico fosse tomado por
certo entusiasmo pela carreira, compreendeu Zequinha de Abreu,
que não poderia manter-se em sua vida, desligado das notas
musicais, do teclado de um piano, de sua inata facilidade de
alinhar frases melódicas.
Por
isso, deixou a Faculdade de Medicina e voltou
seus dias inteiramente para a música. Seus mestres de música
foram o Padre Rossini, do Colégio São Luiz e mais tarde, o Maestro,
Mhiaffarelli. Modesto até ao extremo Zequinha de
Abreu era, antes de tudo,um simples e um bom; jamais teve para
alguém uma só palavra que não fosse de estímulo, de
carinho, de fraternidade.
Aliás
as palavras não eram muito usadas por Zequinha de Abreu, que
preferia substituí-las por sorrisos meigos ou por suas músicas.
Mesmo quando a sorte lhe era adversa; como foi por quase toda
a sua vida, Zequinha de Abreu jamais abandonou o seu sorriso
de simpatia, a sua maneira resignada de encarar os fatos que
insistiam em lhe ser contrários.
Como,
pianista profissional, foi Zequinha de Abreu contratado para
tocar na "Casa da Música",
em São Paulo
, cujos proprietários eram Irmãos Vitale, editores de suas
melodias.
Debruçado
sobre o teclado do piano, passa Zequinha de Abreu todas as
tardes, sempre cercado por um número grande de pessoas
(geralmente moças), que indo à cidade, jamais dispensavam uma
visita à "Casa da Música" para ouvir as novas
melodias, composições do mestre paulista. E a cada palavra
elogiosa, Zequinha de Abreu baixava a cabeça sorria
acanhadamente, recolhido em modéstia.
Zequinha
de Abreu tinha uma vocação musical surpreendente.
Escrevia
músicas com a mesma ligeireza com que uma pessoa comum
escreve qualquer coisa.
Para
compor, sentava-se ao piano e dedilhava sem intenção
expressa de fazer novas melodias.
Mas
as frases bonitas vinham surgindo como por encanto e Zequinha
de Abreu, tomado de um papel anotava-as.
De
sua espontaneidade ao compor, conta-se como exemplo que em uma
festa na casa de um poeta seu, Zequinha de Abreu até meia
noite tocou todas as suas músicas já conhecidas, mas, daí
até as quatro horas da manhã só tocou músicas
improvisadas, uma em seguida às outras e cada mais belas que
a anterior.
E,
as músicas do pianista modesto, tocados por seus dedos,
tinham inegavelmente como característica, uma outra
significativa.
Na
valsa, encontrava Zequinha de Abreu seu ritmo preferido
parecia-lhe que se as notas musicais não se alinhassem no
compasso que lhe era mais agradável, não estaria o seu
sentimento expresso na melodia substituindo as palavras de
amor, sempre vivas em seus dias, pelas frases melódicas, cada
dor e cada alegria de Zequinha de Abreu ficaram gravadas em
suas músicas.
Casado
aos 19 anos com D. Durvalina Brasil de Abreu, deixou a viúva
a 22 de Janeiro de 1935.
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"Corporação
musical Zequinha de Abreu"
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Venceu,
grandes dificuldade e alcançou a vitória, a idéia da fundação
da Banda "Zequinha de Abreu",
em Santa Rita
do Passa Quatro, cuja primeira diretoria ficou assim
organizada: Presidente – Manuel de Siqueira; Vice-Presidente
– Manuel de Assis Cunha; Tesoureiro – Zeão Bueno de
Prado; Secretário – Silvio Pelício de Araújo; Diretor da
banda – Narciso Nori; Regente – Alcides Perini; Vice –
Regente – Francisco Martino.
A
14 de agosto de 1933, reunidos na redação desta
"Folha", amigos e simpatizantes da nossa cidade, com
entusiasmo otimista tornaram realidade a existência
organizada desta querida corporação musical,
que se leva o nome do imortal compositor santarritense José
Gomes de Abreu, que foi idealizada pelo saudoso Sr. João
Buenos do Prado.
A
banda "Zequinha de Abreu", composta de 35 figuras,
apresentou-se com seu belo uniforme, no dia 13 de maio de
1934, para as imponentes festividades de sua inauguração
oficial.
No
romper da madrugada a população ouviu pela primeira vez o
incipiente repertório musical de marchas, valsas e dobrados,
fruto de esforço e da boa vontade, característica necessária
a todas as iniciativas populares.
As
12:30 horas, em almoço de cordialidade foi vibrantemente
homenageado o maestro José Gomes de Abreu, especialmente
convidado pela diretoria de nova e promissora corporação.
As
15 horas, em frente à igreja do Rosário, foram os músicos
recepcionados com calorosas palmas pela grande massa popular,
instrumentos e dos músicos.
Cortadas
as fitas simbólicas pelo maestro Zequinha de Abreu a Banda
executou a marcha "Pátria" e desfilou
pelas ruas da cidade tendo sido pronunciados discursos de
homenagem nas residências das exmas. Autoridades e ao patrono
musical da corporação em festa.
Ao
anoitecer, os músicos executaram o Hino Nacional
na escadaria principal da igreja Matriz, no momento da Benção
Solene do Santíssimo Sacramento.
Assim,
a data de inauguração da Corporação "Zequinha de
Abreu" marcou o início das esplendidas vitórias que
muito tem contribuído para o progresso artístico de Santa
Rita.
Não
foi sem grandes dificuldades que se não desaparecem de todo,
entretanto, sempre foram vencidas para alegria não só de se
uns diretores, mas da população que se ufana de ser conterrânea
do grande maestro e compositor santarritense, em cuja
homenagem foi em boa hora, fundada a Banda "Zequinha de
Abreu" sem dúvida constituiu a nossa banda de música um
precioso patrimônio de arte, que muito honra o progressista
da terra natal de "Zequinha de Abreu" e que todos os
bons santarritense devem prezar com carinho e civismo.
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"Última
pausa de uma vida dedicada a arte e morte
repentina
de
Zequinha de Abreu."
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Nada
parecia, alterar o ritmo da vida de Zequinha de Abreu no últimos
anos de sua existência. Vencera com sua música conquistando
uma popularidade à qual se ligavam a mais os curiosos fatos ,
mundanos e boêmios. Levemente começava a usar-se alguns
acordes de uma serenidade e satisfação íntima.
Com
os filhos colocados e bem situados escolhia de preferência
nos dias de Natal, a casa de Dermeval.
Zequinha
nos últimos anos de sua vida viveu
em São Paulo
, de onde saía raríssimas vezes.
Seriam
9 horas da noite, de 22 de Janeiro de 1935, quando Zequinha de
Abreu recebeu um telefonema de um grupo de músicos que lhe
marcara um encontro para daí a pouco numa residência na praça
General Osório, próxima ao hotel Piratininga, sempre
disposto a atender a quem lhe solicitavam o concurso artístico
Zequinha compareceu a reunião tendo segundo organizado um
programa para festa a realizar-se daí a dois dias.
Cerca
de 11 horas nessa mesma noite o compositor santarritense saí
da reunião encaminhando seus passos tranqüilamente, em direção
ao bonde. Eis que ao passar precisamente em frente ao Hotel
Piratininga, viu-se acometido por súbita emoção, aquela
mesma que, de tempos em tempos, o surpreendia, deixando-o
completamente paralisado.
Tentou
reagir, mas não pode. Alguns transeuntes notam aquele homem
vestido de terno escuro, levar a mão ao coração e olhos
semi-arregalados, cambalear, levemente.
Há
uma ligeira movimentação, naquele trecho.
_
Que foi ? _
Quem é ?
_
Um homem caiu ...............
_
Mas ..... não é um homem, apenas.
_
É Zequinha de Abreu!! (grita um senhor que se aproxima de
grupo).
Uma
coincidência extraordinária.
Passa,
no momento, o enfermeiro Mário Flori, que conhece Zequinha de
Abreu pessoalmente. Aproximou-se do acidentado, que continua pálido,
amparado por dois populares. Tenta dizer alguma coisa, mas não
consegue. Mário Flori ouve-lhe apenas.
_
Aí meu Deus !
Foi
um colapso, diz o enfermeiro.
Talvez
não haja mais nada a fazer.
Chamam
a assistência pública, que não se faz demorar.
Como
previra o seu assistente, tudo estava terminado.
Zequinha
morrera, repentinamente, vítima de um colapso cardíaco.
O
acidentado da hora e a recondução do corpo para sua resistência,
na rua Fortunato, ocuparam algumas horas.
Os
jornais fecharam as suas edições nesse intervalo.
A
cidade amanheceu sem saber do desaparecimento de Zequinha.
Enquanto
se velava o cadáver, a notícia espalhou-se, mas quando todos
tomaram o conhecimento do episódio o famoso compositor da
gente simples, criador de tantas belezas da música, popular,
descia ao túmulo para repousar de sua luta, uma luta
desigual, mas vitoriosa e consagrada, pelo que encerrou de
simples e profundamente humano.
"Assim,
sua música, cheia de incidentes e acidentes, como a própria
natureza brasileira, não atinge os abismo escarlates da
ferocidade nem conhece as trevas terríveis da miséria
universal.
A
música de Zequinha de Abreu será sempre, o reflexo
auriverde, cuja fusão produz o azul límpido do nosso
firmamento, que transparece na "Branca" e a
solidariedade esportiva das messes descuidadas, que reúne, em
poucos minutos, milhões de Tico Tico no Fubá."